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2 – Supermercados e saquinhos plásticos – O tiro no pé continua

Preferi responder por este post a uma pergunta de Vera Lúcia, de Porto Seguro, por ser oportuna e importante e que deve intrigar muitas pessoas que até hoje não “engoliram” a desculpa do problema “ecológico”.

Agradeço a Vera pela paciência com a demora, pois tive que pesquisar a resposta. Transcrevo a pergunta de Vera a seguir:
“Uma pergunta que não quer calar, os sacos de lixo que compramos nos supermercados são degradáveis? Qual é a diferença de usarmos em nossas lixeiras o saquinho dos supermercados ou os sacos de lixo que compramos? Gostaria de saber, pois se os sacos comprados não agredirem o meio ambiente serei defensora da campanha para acabar com os sacos plásticos. Obs: Já comprei duas sacolas para carregar compras, às vezes esqueço de levá-las, mas se eu for convencida de que “saco para lixo comprado” é inofensivo vou me policiar para não esquecer.”

Pelo que eu apurei, não há diferença entre os saquinhos de supermercados e os sacos de lixo à venda. A agressão ao meio ambiente é a mesma. E o custo para nós consumidores é muito maior. E até agora nenhuma rede de supermercados reduziu seus preços por 1.estar fazendo economia e 2.estar vendendo mais sacolas e sacos de lixo.

O problema ecológico é real, mas a “solução” só agradou aos donos de supermercados. Os empacotadores, “economizados” ao longo dos anos, permanecem na mesma quantidade, exceto nas lojas que têm clientes mais antigos e de mais idade, que conhecem o gerente da loja e reclamam pessoalmente sobre os problemas que encontram.

Em lojas de bairro que tem o dono presente e os funcionários conhecem a freguesia e são extremamente cordiais, as sacolinhas continuam, mas no controle direto da moça do caixa, que puxa somente o que sabe que vai ser usado na compra que está sendo paga. Só com essa atitude a economia de sacolas deve ser bem grande.

Farmácias, Padarias, Feiras Livres e pequenos Supermercados de bairro outros tipos de comércio que trabalham em sistema misto de autosserviço e balcão ignoraram solenemente a atitude dos Supermercados e continuaram a embalar as vendas em saquinhos plásticos, porque “o importante é manter a freguesia”, disse-me um dono de padaria.

Quando ia publicar esta resposta, surgiu a notícia de que os saquinhos iam voltar. Verdade, por uma decisão da Justiça de São Paulo, a partir de ontem, dia 28/06/2012, os saquinhos voltaram a todas as lojas. A decisão judicial escancara os artifícios “ecológicos” usados pelas grandes lojas para encobrir os motivos do não fornecimento de saquinhos aos seus clientes, além de culpa-los pela introdução dessas embalagens plásticas poluentes, anteriormente sacos de papel reforçado. Vejam a integra da notícia no Estadão:  http://www.estadao.com.br/noticias/geral,supermercados-voltam-a-distribuir-sacolas,892834,0.htm

Na Wikipédia há um texto sob o título “Sacos de plástico”, que mostra que vários países já enfrentaram e solucionaram o problema sem onerar o consumidor, como ocorreu em São Paulo e certamente ocorreria no país inteiro.

Para nós consumidores é uma lição de como agir em sociedade. Temos que reclamar, tuitar, por no feice, mandar e-mails para os amigos, incluir o assunto nas rodinhas de conversa-fora, enfim, por a boca no trombone.

Só temos a ganhar com isso.


Supermercados e saquinhos plásticos: um tiro no pé

Passados os primeiros dias da retirada dos saquinhos plásticos dos supermercados, dá para perceber que foi um belo tiro no pé. Mas que ainda tem conserto.

A simples observação da evolução dos supermercados mostra o absurdo da atitude. Um pouco de história: sempre coube aos varejos o fornecimento das embalagens para os consumidores levarem os produtos comprados para casa. Quando o varejo era de balcão, o balconista juntava as compras e as colocava num saco de papel para a cliente levar para casa ou alguém ia entregar em casa depois.

O autosserviço, que começou com um novo modelo de varejo de alimentos, o supermercado, e depois se espalhou por outros tipos de varejo, inclusive o atacado, traz em sua história a evolução do transporte das mercadorias pelo consumidor ainda dentro das novas e cada vez mais amplas lojas.

Com os primeiros supermercados, que não tinham balconistas, não daria para o consumidor ir juntando suas compras no cantinho da loja, para depois pegar tudo e pagar na saída. Algum lojista, então, forneceu uma cestinha para colocar as coisas já compradas, e essa atitude foi copiada pelas lojas existentes.

Até que um lojista notou que quando a cestinha estava cheia, o consumidor parava de comprar. E aumentou o tamanho da cesta.

E as vendas aumentaram.

Mas uma cesta muito grande e cheia não é toda dona-de-casa que consegue levantar, então nosso lojista aumentou novamente a cesta e colocou rodinhas. E surgiu o carrinho de compras.

E as vendas aumentaram mais.

Esta historinha é hipotética, mas as coisas ocorreram mais ou menos assim, com a observação e o aprendizado gerando as melhorias.

Agora os supermercados deixarão de gastar em milhões de saquinhos, terão um aumento de vendas de embalagens para lixo, além da venda extra de sacolas para carregarmos nos nossos carros. Mas será que essa foi a melhor solução? Apesar dos argumentos ecológicos, a grande verdade era o custo dos saquinhos, porque como as lojas mandaram uma boa parte dos empacotadores embora, o consumidor teve que assumir o empacotamento, com isso passando a usar uma quantidade absurda de saquinhos, sem qualquer tipo de controle, pelo princípio do “não é meu mesmo” e pela utilidade dos saquinhos no dia-a-dia.

Então por que o tiro no pé?

Primeiro porque a capacidade de comprar foi reduzida pela capacidade de carregar no máximo uma ou duas sacolas grandes. Não, as vendas não vão despencar por causa disso! Mas o fato é que hoje, de forma consciente ou inconsciente, passamos a ter um registro em nossas cabeças que pode interferir no processo de compra, da mesma forma que a cestinha cheia interfere. Perguntem a qualquer feirante.

Depois, os saquinhos plásticos para frutas passaram a ser usados para colocar outros itens, como iogurtes e outros produtos miúdos e/ou úmidos, para não molhar a nossa sacola de R$2,99. E passaram a ser superutilizados no caso da carne e outros produtos que pingam, pois o consumidor passou a embrulhar individualmente cada pacote de carne, para reduzir a perda das sacolinhas. Isso já provocou proibições de uso em algumas lojas, e os rolinhos com sacos, que eram 3 ou 4 em cada vasca, agora são um ou nenhum. As moças do caixa dizem que não pode e o consumidor reage com indiferença ou, em casos extremos, com o abandono da mercadoria que estava levando.

Parece que há menos carrinhos cheios até a boca, e os poucos que encontrei tinham sempre o marido junto com a mulher, talvez devido à capacidade de carga. É fácil encher uma caixa ou sacola colocando-a vazia no carrinho, porém retirá-la para colocar no carro não é tão fácil assim, e da mesma forma levar tudo para dentro de casa.

É claro que vamos nos adaptar. Já se vê pessoas com carrinhos de feira e já existem carrinhos para comprar e colocar no porta-malas do carro. Mais fácil para os homens e mais difícil para mulheres e idosos.

Mas em minha opinião a melhor solução seria o lojista comprar sacolas biodegradáveis e vendê-las a preço de custo para o consumidor e/ou montar um esquema de ceder as sacolas conforme o volume comprado. Se as sacolas virarem um produto, por estarem expostas para venda junto ao caixa, em embalagens de 10 unidades por pacote, com preço informado, o consumidor pode avaliar na hora quantas vai precisar, comprar o necessário e levar para casa o que sobrar. O preço será baixo e a satisfação maior. E devido ao que está ocorrendo, o consumidor está cada vez mais disposto a aceitar essa solução.

Ainda bem que é um movimento limitado aos supermercados. Se a moda pega, vamos ter que consumir pão baguete e – como na França – teremos carregá-lo debaixo do braço, sem embalagem.


Causo Squibb

Um dia, na sala de espera do Departamento de Marketing da Bristol-Myers Squibb, vejo dois executivos indo embora furiosos, discutindo entre si em voz baixa, inibidos pela minha presença.

Quando entrei, fui informado de que os dois eram da empresa responsável pelas vendas do adoçante Suita na Grande São Paulo e haviam sido dispensados naquele momento, devido a exigências descabidas que haviam feito, por acharem que a Squibb estaria nas mãos deles por desconhecer para quem eles vendiam o produto.

“O duro é que é verdade…”, comentou o Diretor de Marketing, “nós não temos a menor idéia para quem eles vendem”.

Na mesma hora, afirmei que poderíamos levantar as informações vitais em uma semana.

No dia seguinte, enviamos três promotoras motorizadas, visitando as principais lojas de supermercados e farmácias da Grande São Paulo, levantando dados como quantidade e apresentações de Suita por loja, nível de estoques, locais de exposição, frentes de exposição, nomes, funções, telefones e outros dados dos responsáveis pela linha de produto nas lojas, escritório de compras e outras informações relevantes. No final do dia, tínhamos uma série de dados e um novo relatório de visitas, desenhado a partir dos resultados do primeiro dia. A equipe cresceu, com a entrada de novas promotoras, e em uma semana conseguimos o mapeamento real da situação de Suita no mercado da Grande São Paulo.

Na segunda semana, consolidadas as sistemáticas e os relatórios de visitas, uma nova equipe de vendas, comandada por um supervisor recém-promovido, iniciou o trabalho de visitação e venda aos principais clientes de Suita.


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